Lucky Number Slevin no Prime Video: um dos melhores filmes de Bruce Willis para (re)descobrir
set, 4 2025
Por que Lucky Number Slevin ainda surpreende
Entre os papéis marcantes de Bruce Willis depois do auge de Duro de Matar, está um filme que muita gente esqueceu de colocar na lista: Lucky Number Slevin (2006). Dirigido por Paul McGuigan e escrito por Jason Smilovic, o longa é um thriller estiloso, com humor negro na medida e uma história que prende do primeiro ao último minuto. E o elenco é um ímã por si só: Josh Hartnett, Morgan Freeman, Ben Kingsley, Lucy Liu, Stanley Tucci, Corey Stoll e Willis dividem a tela com uma química que raramente se vê.
A trama começa simples e vira um quebra-cabeça: Slevin (Hartnett) chega para visitar um amigo, é assaltado e, por um erro de identidade, acaba cobrado por uma dívida que não é dele. Em poucas cenas, ele já está no meio de uma guerra silenciosa entre dois chefões do crime, chamados de The Boss (Freeman) e The Rabbi (Kingsley). O roteiro joga migalhas o tempo todo — frases que soam soltas, objetos de cena que voltam depois, coincidências que não são bem coincidências — e você percebe que nada está ali por acaso.
Willis interpreta Mr. Goodkat, um assassino de sangue frio, quase sem levantar a voz. É um papel contido, preciso e ameaçador, muito diferente do herói barulhento que o consagrou. Ele aparece como uma sombra que liga peças do passado com a confusão do presente, e cada aparição muda a leitura do que vimos até ali. Do outro lado, Hartnett segura a carga emocional e dá leveza ao caos com humor e fragilidade. Lucy Liu, como a vizinha Lindsey, entra como respiro e motor da investigação caseira — é o olhar que nos puxa para dentro do mistério.
Visualmente, o filme bebe do noir moderno: ambientes fechados, cores frias, enquadramentos milimétricos e diálogos que estalam. Se você curte a vibração de filmes de gângster cheios de reviravoltas, ritmo rápido e personagens excêntricos, vai se sentir em casa. A diferença é que McGuigan aposta menos no excesso e mais em truques discretos de montagem e repetição de ideias. O resultado é um suspense que se revela por camadas, sem virar um labirinto impossível de seguir.
Outro ponto que ajuda é a duração: cerca de 1h50, enxuta para a quantidade de viradas que entrega. Não é um filme de violência gratuita; quando a ação vem, funciona para mover a história, não para fazer barulho. E tem aquele prazer de ver dois gigantes, Freeman e Kingsley, se divertindo com personagens que se odeiam à distância, trocando ameaças polidas como se estivessem jogando xadrez.
Vale ver hoje? Onde assistir e para quem é
Sim, vale — e muito. Lucky Number Slevin é um daqueles títulos que envelhecem bem porque a graça está no desenho do plano, na ironia dos diálogos e no encaixe das peças. Ele foi recebido como “filme de locadora que vira culto” e ganhou uma base fiel com o tempo, especialmente entre quem gosta de thrillers com final que recompensa a atenção. Se você gostou de filmes com humor ácido e trama em zigue-zague, este cai como uma luva.
Disponível no Prime Video, é fácil de encaixar na agenda. A dica é assistir com o celular longe: o filme espalha pistas visuais e verbais que ficam ainda melhores numa revisão. Repare nos nomes, nas pequenas histórias contadas pelos personagens, nos objetos que voltam à cena e nesse jogo de causa e efeito que parece coincidência, mas nunca é.
Para fãs de Bruce Willis, é um lembrete do alcance dele fora da pura pancadaria: presença física, economia de gestos e um olhar que diz muito. Para quem acompanha Josh Hartnett, é um dos trabalhos mais carismáticos da carreira. E, para quem busca um entretenimento esperto sem se levar a sério o tempo todo, está aqui um prato cheio.
- Elenco de primeira: Willis, Hartnett, Morgan Freeman, Ben Kingsley, Lucy Liu e Stanley Tucci.
- Humor negro e clima noir, com visual caprichado.
- Reviravoltas que fazem sentido — dá vontade de rever.
- Bruce Willis em modo contido e afiado, raro e ótimo de ver.
- Duração enxuta e ritmo firme.
- Disponível no Prime Video.
felipe sousa
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