Atlético-MG vence o Internacional por 2 a 0, encosta no G-6 e celebra estreia de Dudu

Como foi o jogo
Camisas pesadas, estádio cheio e clima de Dia dos Namorados: a Arena MRV viveu uma noite daquelas em Belo Horizonte. O Atlético-MG venceu o Internacional por 2 a 0, em duelo da 12ª rodada do Brasileirão, e deu um passo firme rumo à zona da Libertadores. Teve gol contra que mudou a cara da partida, teve herói saindo do banco e, de quebra, a estreia de Dudu, que começou entre os titulares e deixou boa impressão.
O início foi do Inter. A equipe gaúcha subiu as linhas, forçou o jogo pelos lados e encontrou espaço para finalizar. A melhor chance veio cedo, quando uma finalização explodiu no travessão de Everson, silenciando por segundos a Arena. A resposta veio na mesma moeda: Rony, em chegada rápida, também carimbou o metal do gol adversário. O aviso estava dado dos dois lados.
Quando o jogo parecia equilibrado, Gustavo Scarpa começou a ditar o ritmo. Caindo pela esquerda, ele saiu da ponta para se aproximar por dentro e abrir corredor para Rubens. Numa dessas ações, Scarpa cruzou com precisão buscando o lateral, a bola cruzou a área e, na tentativa de cortar, Vitão desviou contra o próprio gol. O 1 a 0 deu ao Galo o controle emocional e tático do primeiro tempo.
Cuca apostou em uma formação móvel. Alan Franco e Gabriel Menino fizeram a base no meio, com Scarpa articulando e Dudu encostando em Hulk para alongar a zaga colorada. Dudu não se escondeu: buscou tabela curta, atacou o espaço às costas dos defensores e brigou no corpo a corpo. Faltou o gol, é verdade, mas ele ajudou a empurrar a equipe para o campo ofensivo.
Na volta do intervalo, o Inter cresceu. A equipe gaúcha empilhou cruzamentos, ficou mais agressiva nas segundas bolas e rondou a área atleticana. Everson foi decisivo. Seguro por cima e por baixo, o goleiro fez intervenções em chutes de média distância e salvou o time em cabeçada de Ricardo Mathias nos minutos finais. A bola parecia buscar o camisa 22, que respondeu no reflexo.
Com o adversário mais exposto, o Galo encontrou o golpe derradeiro no fim. Júnior Santos, que havia acabado de entrar, atacou o espaço com vigor e, em jogada rápida, definiu o 2 a 0. Foi a assinatura de um banco participativo: Cuca mexeu para ganhar profundidade e velocidade, e o plano funcionou.
Entre uma chegada e outra, a Arena MRV fez a diferença. O time chega a 18 partidas sem perder em casa, e a atmosfera pesou para o lado mineiro nos momentos de aperto. Em campo, a equipe soube alternar ritmo: acelerou quando precisou matar o jogo e cadenciou quando foi hora de esfriar a pressão colorada.
Dudu, em estreia, deixou o campo por volta da meia hora da etapa final para a entrada de Igor Gomes. Foi uma amostra do que pode vir: presença física, movimentação para quebrar linha e vontade de participar. Não foi uma noite de números para ele, mas de sinais. Cuca ganhou uma peça que ajuda a variar o ataque e libera Hulk para aparecer com menos contato e mais decisão.
Do outro lado, o Inter saiu com mais perguntas do que respostas. A equipe criou, teve volume e chances claras, mas voltou a pecar em execução no último terço e em concentração defensiva. O gol contra mudou a maré, e a falta de frieza para empatar no segundo tempo cobrou um preço alto. O time agora entra na pausa pressionado na tabela e com o vestiário precisando de ajustes táticos e mentais.
- Destaques do jogo: Everson decisivo; Scarpa lúcido na construção; Rubens intenso na faixa esquerda; Júnior Santos letal saindo do banco.
- O lance-chave: cruzamento de Scarpa para a infiltração de Rubens, que forçou o erro de Vitão e abriu o placar.
- O momento dramático: cabeçada de Ricardo Mathias no fim, defendida por Everson, mantendo o 1 a 0 até o golpe final.
Com a vantagem construída, o Galo controlou melhor as transições defensivas. Gabriel Menino foi importante nas coberturas, e Alan Franco deu o primeiro bote para limitar a condução colorada pelo corredor central. Quando precisou baixar o bloco, a dupla de zaga Igor Rabello e Junior Alonso protegeu a área com simplicidade, afastando bolas e evitando faltas próximas.
O jogo ainda guardou um detalhe que pesa para o próximo compromisso: Rony e Everson receberam o terceiro amarelo e estão fora do duelo contra o Bahia, após a pausa. Cuca perde um ponta que abre o campo e seu goleiro mais regular no campeonato. O calendário vai cobrar eficiência do elenco.
O que muda na tabela e no vestiário
O resultado colocou o Atlético em 7º lugar, com 20 pontos após 12 rodadas. É um recorte que mostra consistência: oito partidas sem perder no Brasileirão e quatro jogos seguidos sem sofrer gols. Além da invencibilidade em casa, o time vem reduzindo o número de chances cedidas e encontrando caminhos diferentes para marcar, mesmo quando os artilheiros não aparecem.
O G-6, que garante vaga direta na Libertadores, virou alvo palpável. A equipe soma pontos, corrige detalhes e mantém uma base. Cuca alcançou um equilíbrio raro para esse estágio do campeonato: quando o jogo pede imposição física, o time responde; quando pede paciência, baixa a rotação e espera a brecha. Com a estreia de Dudu e a contribuição de reservas como Júnior Santos, o elenco ganha alternativas para fugir de leituras óbvias.
Para o Internacional, a derrota pesa. O time caiu para 17º, com 11 pontos, entrando na zona de rebaixamento. O desempenho não foi de uma equipe apática — houve intensidade, travessão, bola aérea perigosa —, mas o placar expõe um problema crônico: a janela entre criar e converter. Em jogos grandes, essa diferença costuma decidir. E decidiu.
O intervalo no calendário, por causa do Mundial de Clubes, vira oportunidade para treinamento, recuperação e ajustes. O Inter precisa reorganizar as coberturas pelos lados e ganhar mais sincronia no último passe. A comissão técnica tem material para trabalhar, mas a pressão da tabela acelera qualquer plano.
Para o Galo, a pausa ajuda na adaptação de Dudu, na recuperação da carga física de Hulk e na integração dos setores. Há margem para refinar a bola parada ofensiva, que vem gerando segundas jogadas perigosas, e para melhorar a saída sob pressão, especialmente quando o adversário encurta o campo.
- Números que contam: 8 jogos de invencibilidade no Brasileirão; 18 partidas sem perder na Arena MRV; 4 rodadas seguidas sem sofrer gols.
- Plano de Cuca: amplitude com pontas, Scarpa conectando por dentro e laterais agressivos; banco com impacto, como mostrou Júnior Santos.
- Ponto de atenção: suspensões de Rony e Everson para o próximo jogo fora de casa.
A torcida que encheu a Arena saiu com a sensação de que o projeto está no trilho. Resultados à parte, a equipe transmite ideias claras. Scarpa é o metrônomo, Rubens dá volume pelo lado, Menino equilibra e Hulk ainda é quem dita o respeito na última linha adversária. Se Dudu ganhar ritmo e entrosamento, o ataque pode mudar de patamar em jogos de alta exigência física.
No vestiário do Inter, a conversa passa por detalhes que decidem partidas. A equipe produz, mas oscila no aspecto mental logo após sofrer gol. Reagir sem desorganizar a estrutura é o próximo passo. O elenco tem experiência para isso, e a pausa oferece o tempo que faltou nas últimas semanas de maratona.
Escalação do Atlético: Everson; Natanael, Igor Rabello, Junior Alonso e Rubens (Vitor Hugo); Alan Franco, Gabriel Menino, Dudu (Igor Gomes) e Gustavo Scarpa (Saravia); Hulk (Caio) e Rony (Júnior Santos). Técnico: Cuca.
- Próximos jogos após a pausa do Mundial de Clubes:
- Atlético-MG: visita o Bahia, sem Rony e Everson (suspensos).
- Internacional: recebe o Vitória, mirando a saída do Z4.
Em termos de roteiro, foi um jogo que marcou bem as diferenças do momento. O Atlético soube controlar o placar e sofrer de forma organizada quando precisou. O Inter, mesmo criando, não converteu e ainda se feriu em um erro individual. Em campeonato de pontos corridos, onde cada detalhe vira tendência, essas linhas contam muito.
O torcedor mineiro já tem na cabeça a conta simples: pontuar fora, manter a Arena como fortaleza e atravessar o mês pós-pausa sem perder terreno. Para o gaúcho, a missão é estancar a sangria, reconectar desempenho com resultado e transformar pressão em resposta. A próxima curva do Brasileirão costuma ser decisiva para quem quer brigar em cima — ou sair do sufoco.