Adolescente presenciona feminicídio da mãe por pai em Duque de Caxias
jun, 19 2026
Uma noite que deveria ser comum virou pesadelo para uma família em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Na quinta-feira (5), uma adolescente de 15 anos viu o próprio pai atirar contra a mãe dentro da residência onde moravam. O terror foi tão grande que a jovem, ainda em choque, conseguiu acionar a polícia logo após o crime.
O suspeito, identificado como Sebastião Rogério Ventura Costa, foi preso em flagrante e autuado pelo crime de feminicídio. A investigação, conduzida pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), revela detalhes perturbadores: o pai chegou aparentemente embriagado, usou o celular da filha para chamar a ex-companheira até o local e disparou contra ela quando ela subia a escada da casa.
A armadilha mortal montada no celular
O modus operandi do crime mostra um planejamento cruel, mesmo que improvisado. Segundo os relatos colhidos pela polícia, Sebastião entrou na casa onde as filhas — gêmeas de 15 anos, sendo uma com necessidades especiais — estavam cuidando da irmã mais nova ou apenas acompanhando-a. Ao chegar, ele tomou o aparelho celular da adolescente.
Em vez de usar seu próprio telefone, ele ligou para a vítima usando o aparelho da filha. O objetivo era claro: atrair a ex-companheira até a residência sob um pretexto qualquer. A jovem não sabia o que estava prestes a acontecer. Quando a mulher atendeu e começou a subir a escada de acesso ao imóvel, Sebastião sacou uma arma de fogo que carregava na cintura.
A vítima tentou fugir, mas foi atingida pelos disparos e caiu nos degraus. A cena traumática ocorreu na frente das duas irmãs. A adolescente, além de testemunhar o assassinato, teve sua integridade física e psicológica violada ao ser instrumentalizada pelo agressor para facilitar o crime.
A coragem da adolescente e a prisão em flagrante
No meio do caos, a filha de 15 anos reagiu. Após o pai fugir do local de carro, deixando as meninas sozinhas com o corpo da mãe, ela conseguiu contatar as autoridades. Essa atitude rápida foi crucial para o início imediato das buscas e para a captura do suspeito.
Sebastião Rogério Ventura Costa foi localizado e preso em seguida. A Polícia Civil classificou o caso como feminicídio, um homicídio qualificado previsto no Código Penal brasileiro, que ocorre contra a mulher em razão do gênero e no âmbito de relações domésticas, familiares ou de afeto.
As circunstâncias do crime agravam significativamente a pena. O fato de ter sido cometido na presença de descendente (a filha) é uma qualificadora legal que aumenta a reprimenda. Além disso, o uso da menor para atrair a vítima adiciona outra camada de gravidade à conduta do réu.
O que dizem as investigações e o próximo passo judicial
Até o momento, as reportagens não divulgaram o nome completo da vítima, respeitando a privacidade da família e os protocolos de proteção às menores envolvidas. Também não há informações sobre antecedentes criminais de Sebastião ou se existiam registros anteriores de violência doméstica entre o casal.
A audiência de custódia do suspeito foi marcada para a tarde de um domingo subsequente ao ocorrido. Nela, um juiz avaliará a necessidade de manter a prisão preventiva enquanto durar o processo. A Polícia Civil já solicitou que Sebastião responda ao processo encarcerado, dada a gravidade dos fatos e o risco de fuga ou interferência nas provas.
O caso segue sob apuração da DHBF, especializada em crimes contra a vida na região. Novos detalhes podem surgir conforme as perícias técnicas são concluídas e outras testemunhas são ouvidas.
Perguntas Frequentes
O que configura o crime de feminicídio no Brasil?
O feminicídio é definido como homicídio qualificado praticado contra a mulher em razão do gênero. Isso inclui crimes cometidos no âmbito doméstico, familiar ou de relações íntimas de afeto. A pena base é mais severa do que a do homicídio simples, podendo aumentar ainda mais se houver crueldade, mediante paga ou promessa de recompensa, ou para assegurar execução, ocultação, destruição, adulteração ou apreensão de infração, culpa ou fato.
Por que a presença da filha agrava a pena do acusado?
A legislação brasileira prevê que o feminicídio cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima recebe uma majoração de pena. Essa medida visa punir com maior rigor o agressor que expõe crianças ou idosos à violência letal, causando trauma psicológico adicional e violando o dever de proteção inerente à relação familiar.
Qual é o papel da audiência de custódia neste caso?
A audiência de custódia é o momento em que o preso é levado perante um juiz, geralmente em até 24 horas após a detenção. O magistrado verifica a legalidade da prisão, ouve o acusado e decide se ele deve permanecer preso provisoriamente ou ser liberado com medidas cautelares. No caso de feminicídio, a tendência é a manutenção da prisão devido à gravidade do crime.
Como a polícia identificou o suspeito rapidamente?
A rapidez na identificação deve-se principalmente ao relato detalhado da adolescente vítima testemunhal. Como ela conhecia o autor (seu pai) e presenciou todo o evento, forneceu dados precisos à polícia. Além disso, a fuga em veículo próprio e a proximidade geográfica facilitaram o rastreamento pelas viaturas da região de Duque de Caxias.
Existe algum registro de violência prévia no casal?
Até o momento, as fontes jornalísticas consultadas não informam sobre boletins de ocorrência anteriores ou medidas protetivas vigentes envolvendo Sebastião Rogério Ventura Costa e a vítima. A investigação da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense pode revelar esses detalhes conforme o inquérito avança e documentos são analisados.