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ASRM aborda novidades no tratamento do diabetes e envelhecimento com sabedoria

Com a coordenação do presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM), Luiz Lavinsky, a primeira reunião ordinária virtual da nova gestão da entidade, realizada neste sábado (26), tratou de assuntos específicos dos acadêmicos, como o acréscimo à ata do encontro anterior – prestigiado pelo governador Eduardo Leite – do registro de expressiva participação, via youtube, além da costumeira plataforma Zoom.

Houve, ainda, manifestação de três diretores, o que se tornará praxe nas reuniões ordinárias dos últimos sábado de cada mês, conforme o presidente Lavinsky, no intuito de liderar um grupo restrito mas participativo, com espírito de pertencimento e imbuído do desejo de compartilhar conhecimentos científicos e colaborar para consolidar a curva ascendente característica da trajetória institucional da Academia.

Os responsáveis pelas diretorias Científica e de Cursos, Sérgio de Paula Ramos, de Cultura Miriam da Costa Oliveira e de Memória Paulo Prates anunciaram novos projetos e ações em suas diretorias. O acadêmico Sérgio disse que a programação científica deve ser uma construção coletiva com colaboração de todos os acadêmicos. Os membros da ASRM devem coordenar os cursos futuros, cujo público alvo será constituído por médicos, estudantes de Medicina e população em geral. A acadêmica Miriam informou que os encontros de Literatura & Medicina passam a chamar-se Sessão Cultural e a próxima terá convidado um especialista em esculturas em espaços públicos de Porto Alegre. Também propõe realizar um inventário da produção bibliográfica dos acadêmicos e realizar uma exposição fotográfica com imagens de autoria de integrantes da ASRM. Já o acadêmico Prates pretende resgatar e cadastrar documentos sobre a história da Academia e acerca da trajetória dos acadêmicos em uma exposição acessível por meio virtual.

 

MOMENTO DE PESAR

Em nome da ASRM, o acadêmico Paulo Abreu cumpriu o doloroso dever de reverenciar quatro médicos falecidos neste ano. No último dia 15 de junho, a cardiologista Valderês Antonietta Robinson Achutti faleceu, em casa, sob os cuidados do marido, ex-presidente da ASRM Aloyzio Cechella Achutti, com quem construiu, por mais de meio século, uma sólida e reconhecida carreira médica conjunta, frutificada também no âmbito da família, com seus três filhos e quatro netos. Faleceu no último dia 6 de junho o dr. Pedro Gus, que foi professor de Anatomia, Cirurgia e Proctologia da Faculdade de Medicina da UFRGS. Atuou como médico socorrista no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre por muitos anos, tornando-se protagonista da medicina da capital, onde foi Secretário Municipal da Saúde e da qual era orgulhoso portador do título concedido pela Câmara Municipal de Cidadão Emérito. A dra. Lídia Marques Silveira nos deixou em 21 de março após 42 anos de devoção à Medicina. Especialista na área da gastroenterologia, destacou-se também como cirurgiã do Hospital das Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Foi referência na sua especialidade, graças ao seu pioneirismo na utilização da videolaparoscopia no estado do Rio Grande do Sul. Por fim, o dr. Monik Fridman faleceu em 21 de janeiro deste ano. Especialista em Ortopedia e Traumatologia, o professor Fridman também serviu à Santa Casa e ao Hospital São Lucas da PUCRS, onde viu concretizado um sonho pessoal muito acalentado: a criação do Serviço de Ortopedia do estabelecimento hospitalar em 2006.

O acadêmico estendeu o tributo a todos os familiares, expressando sentimentos de solidariedade e respeito pelas perdas irreparáveis de seus entes queridos.

Mas o encontro também ofereceu duas contribuições científicas importantes, contemplando interesses de médicos e da comunidade em geral. Os temas de saúde contemporânea foram “Diabetes, o que há de novo?” abordado pelo dr. Fernando Gerchman, e “Como envelhecer com sabedoria,” título da palestra magna do dr. Emílio Moriguchi

Apresentado pelo acadêmico Rogério Sarmento Leite, diretor do Programa Novos Talentos da ASRM, o endocrinologista e professor Fernando Gerchman atualizou o tratamento do diabetes, mostrando a interação com outras especialidades médicas, destacando os impactos medicamentosos em áreas do organismo humano.

Apresentando resultados de várias pesquisas sobre novos medicamentos utilizados no combate à doença, ele ressaltou que os inibidores de SGLT-2 e análogos do GLP -1 reduzem o peso, a doença renal e a morte cardiovascular. Ainda salientou que as medicações devem ser usadas independente da glicemia e definindo-se, de maneira personalizada, quem mais se beneficia.

Ao final, pontuou que nem sempre um controle glicêmico muito estrito é o melhor, considerando como intervenções fundamentais mudanças no estilo de vida, controle da pressão arterial e do colesterol e suspensão do tabagismo.

Além do notável currículo profissional como médico, pesquisador e professor, o dr. Emílio possui sólidas qualificações familiares: é filho do lendário Yukio Moriguchi, pioneiro na geriatria do RS, responsável pela criação do IGG da PUCRS, e neto de Shizuo Hosoe, primeiro médico japonês enviado ao Brasil em 1930 para acompanhar os imigrantes no país. Pois é justamente o fator familiar – que contempla o ambiente e ,de certa forma, o estilo de vida- que o dr. Emilio considera um dos principais segredos do envelhecimento com qualidade de vida – aliado, claro, da genética, do exercício físico, da alimentação saudável e de hábitos que rejeitam o fumo e a bebida alcoólica em excesso.

Recorreu a comprovações práticas de pesquisa que realiza desde 1994, na cidade gaúcha de Veranópolis, com equivalência em população idosa às chamada zonas azuis -blue zones – de um trabalho desenvolvido pela universidade de Harvard, localizando as regiões com maiores longevidade do mundo no arquipélago de Okinawa, no Japão, na ilha da Sardenha, na Itália, e em comunidades da Califórnia nos EUA, e da Costa Rica na America Latina.
Mensalmente, até o início da pandemia, ele costumava” ir à cidade, onde sempre era convidado a almoçar produtos colhidos nos quintais pelos moradores e, por vezes, até dançava com as “nonas” nos alegres bailes dos idosos da terra rio- grandense da longevidade. “Também quero envelhecer com sabedoria”, brincou ele, com as malas prontas para ir às Olimpíadas de Tóquio, onde será um dos cinco médicos voluntários homenageados entre mais de 2.000 candidatos.