REGISTROS

NOTÍCIAS

Terapia gênica oferece esperanças promissoras no tratamento das doenças cardíacas graves

Há cerca de três décadas o infarto agudo do miocárdio ou “ataque cardíaco” – como popularmente se denominava as manifestações súbitas de doença cardíaca – era tido como uma sentença de morte inapelável. Com os avanços no diagnóstico e tratamento nos últimos 30 anos, a mortalidade foi reduzida, mas ainda é a principal causa de morte no mundo ocidental e, por isso, exige pesquisas cada vez mais sofisticadas. Ainda sem emprego clínico generalizado, a terapia gênica, que consiste na transferência de genes úteis para o paciente doente, é um recurso em potencial para tratar pacientes graves, que não respondem a condutas convencionais, seja através de medicações ou procedimentos cirúrgicos.

 

Assim, como explicou o médico Roberto Tofani Sant’Anna na quinta edição do curso de Educação Social em Saúde do Programa Novos Talentos da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina deste sábado (10), a terapia gênica é considerada um método promissor capaz de oferecer respostas concretas para aprimorar o enfrentamento dos males do coração.  Novo talento, tutorado pelo acadêmico Carlos Gottschall, que fez os comentários finais da apresentação, o dr. Sant’Anna relatou os resultados da linha de pesquisa realizada no Instituto de Cardiologia de Porto Alegre, com 13 portadores de angina refratária. Exitosa, a transferência do plasmídeo VEGF 165 foi pioneira no país e ganhou forte repercussão no meio científico e na mídia. O médico abordou, ainda que de forma mais breve, a terapia celular, isto é, a injeção de células troncos no coração do paciente com objetivo de regenerá-lo.

 

O professor Gottschall observou que a terapia gênica é mais utilizada em pacientes oncológicos, o que reforça a ideia da esperança na aplicação também em doenças cardíacas. Ao referir-se às primitivas teorias fantasiosas sobre a genética, exibidas na retrospectiva histórica feita por Sant’Anna, Gottschall reforçou a importância do trabalho do pesquisador Gregor Mendel (1822-1884) cuja genialidade só foi reconhecida 40 anos depois, titulando-o com pai da genética.

 

Mas o acadêmico também alertou para os perigos do mau uso dos avanços científicos, como a seleção genética da chamada eugenia. “A ética deve governar a ciência”, afirmou.

 

A íntegra da exposição apresentada na plataforma Zoom como acontece todos os sábados, a partir das 10h, está disponível no YouTube. Confira clicando AQUI