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REUNIÃO MENSAL DA ASRM: Pandemia causa efeitos negativos na prevenção do câncer de mama

A pandemia da Covid 19 iniciada em 2020 causou impactos profundos na prevenção, no rastreamento e no tratamento do câncer de mama. A acentuada redução na óbitos, que vinha sendo registrada no Brasil, foi tristemente interrompida e a caminhada no rumo da menor ocorrência da doença terá que ser novamente reiniciada com previsíveis dificuldades de enfrentamento de um mal que ainda tem alta incidência e elevada mortalidade.

Há estudos apontando até 70% de redução dos diagnósticos nos últimos tempos no SUS, configurando uma situação bastante grave no país. Além disso, embora a mastologia seja uma atividade médica apaixonante – como definiu Ruffo Freitas Jr. professor da Universidade Federal de Goiás e membro da Academia Goiana de Medicina e da Academia Brasileira de Mastologia – também é motivo de preocupação o fato de que com a pandemia aumentou a desinformação, com a disseminação de fake news, inundando de notícias falsas especialmente as redes sociais.

Foram considerações de alerta para a correta prevenção e para o autoconhecimento feminino que caracterizaram as intervenções do mastologista Ruffo Jr. e das duas outras palestrantes da reunião virtual da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina na manhã deste sábado, 25. A professora da UFRGS e chefe do Serviço de Mastologia do HCPA Andrea Damin e a dra. Camile Stumpf, integrante dos Novos Talentos da ASRM, abordaram, respectivamente, a possibilidade efetiva de prevenir a doença e as repercussões psicossociais do câncer de mama a partir do recebimento do diagnóstico e durante todo o processo de tratamento. “Ninguém está preparado para o buraco que se abre aos pés da mulher diagnosticada com a doença”, disse Camile.

Conforme Andrea, há prevenção primária que pode reduzir à metade os riscos da doença e prevenção secundária obtida com exame clínico e diagnóstico precoce. Tudo depende, entretanto, do nível de rastreamento que ainda é muito baixo no Brasil, de 24% bem distante dos desejáveis 70%.

Antes das palestras, o coordenador do painel científico, o mastologista e ex-presidente da ASRM, Carlos Henrique Menke, abordou o histórico das campanhas de prevenção iniciadas oficialmente na “corrida para a cura”, em outubro de 1992, em Nova York, nos Estados Unidos, mas que tiveram pioneirismo no Brasil em 1989, em um vídeo da atriz de TV Cássia Kiss, com os seios desnudos recomendando o exame da mama. Menke salientou a valorização do movimento Outubro Rosa envolvendo a sociedade civil e os médicos em todo o mundo. E os especialistas convidados reforçaram essa importância afirmando que, mesmo durante a pandemia, no mês de outubro aumentaram as buscas por diagnósticos. “O ‘Outubro Rosa’ é mesmo fundamental”, insistiu o dr. Ruffo.

Após as apresentações, uma das participantes, a conhecida mastologista Maira Caleffi, da Femama, informou que a próxima campanha, no mês de outubro, será centralizada em três questionamentos às mulheres: você já fez a mamografia? Está controlando o sobrepeso? Está fazendo exercícios físicos regularmente?
É que, segundo os mastologistas, está comprovado que hábitos saudáveis, controle do peso, menor ingestão de álcool e atividades físicas também ajudam muito a prevenir o câncer de mama.