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Marcelo Cypel: da tragédia da Kiss em 2013 ao prêmio da Academia em 2020

Na manhã do próximo sábado, 27/03, na reunião ordinária da Academia Sul Rio-Grandense de Medicina, o médico gaúcho Marcelo Cypel receberá o prêmio da entidade do ano de 2020. Como todos os encontros seguem o formato de transmissão remota, imposta pela pandemia da Covid 19, a outorga será virtual pois o porto-alegrense de 44 anos trabalha e mora no Canadá há vários anos.

A premiação remete para o trabalho especial que o referencia no transplantes de pulmões e que vem desenvolvendo há tempos, com o brilhantismo e a competência que se viu em 2013 quando ele foi convocado pelo Ministério da Saúde para vir ao Brasil auxiliar os sobreviventes da tragédia de Boate Kiss (onde morreram 242 pessoas em incêndio de 27 de janeiro de 2013). Atualmente, Cypel segue com sua contribuição valiosa na pandemia, utilizando toda sua experiência no tratamento pulmonar.

“Apesar do momento triste e tão trágico que vivemos no Brasil e no mundo, o reconhecimento ao trabalho médico e científico de Cypel se impõe como obrigatório à Academia” , diz o presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, Carlos Henrique Menke. ” É uma honra premiar o colega médico, pesquisador e professor Marcelo Cypel que sintetiza o cumprimento da missão primordial e insuprimível do médico no salvamento de vidas”. 4

Durante o ato de premiação, a partir das 10h15, o acadêmico Darcy Ribeiro Pinto, apresentará breve trajetória de Cypel que em seguida palestrará sobre “Inovações no manejo da falência respiratória: do transplante pulmonar ao Covid-19 ”

PRÊMIO DA ACADEMIA

A aprovação do nome de Marcelo Cypel, foi homologada pela Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM) para receber o Prêmio Academia 2020, na reunião de 28/11/2020, no último encontro do ano da entidade.

Em Toronto, onde vive desde 2005, tem feito um trabalho de repercussão internacional sobre a recuperação de pulmões para transplantes. Um dos projetos que desenvolve inclui uma máquina que trata o pulmão fora do corpo, fazendo com que um órgão sem condições de ser utilizado possa ser transplantado a partir desse tratamento. O outro, mais recente, envolve um irradiador de luz ultravioleta que elimina vírus de pulmões infectados, permitindo que os órgãos sejam transplantados. Com essas iniciativas, o número de transplantes dobrou em Toronto e aumentou em 30% na América do Norte e na Europa.

Atualmente, Cypel é professor de Cirurgia, cirurgião torácico e de transplantes de pulmão e chefe do Serviço de Transplantes da Universidade de Toronto, que possui o maior programa do mundo de transplante de pulmão e o maior centro de transplante de todos os órgãos da América do Norte. Além disso, ele está à frente de um laboratório de pesquisa sobre pulmão.

Entre as elogiosas manifestações às qualidades profissionais e pessoais de Cypel, o Acadêmico Darcy Ribeiro Pinto explicou que o indicou por sua sólida formação, produção científica, caráter e relação com o estado do RS.

MEMÓRIA

Há oito anos, no primeiro domingo de fevereiro de 2013, convidado pelo Ministério da Saúde para ajudar as vítimas do incêndio na boate Kiss, de Santa Maria, o médico brasileiro Marcelo Cypel chegou do Canadá, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, e foi diretamente ao Hospital de Clínicas da capital para avaliar sobreviventes do incêndio que matou 242 pessoas e feriu mais de 600. Cypel, que trabalha na Universidade de Toronto, no Canadá, veio ajudar com sua experiência no uso do chamado suporte pulmonar extracorpóreo – um equipamento que faz o trabalho de respiração do corpo, diminuindo o esforço dos pulmões. Segundo o especialista, após conversas com os médicos dos hospitais onde se recuperam os pacientes, ele avalia que poucos precisarão passar pelo procedimento. O médico afirmou que o equipamento é usado comumente em bebês e crianças, mas dificilmente em adultos – e é por isso que ele vem ajudar os médicos brasileiros com sua experiência.O equipamento usa um tubo que tira o sangue, o oxigena e remove o gás carbônico – basicamente, o mesmo trabalho do pulmão no corpo. Cypel explicou, à época, que com o procedimento extracorpóreo, a recuperação é acelerada.

REUNIÃO ORDINÁRIA

O primeiro encontro da diretoria de 2021 terá uma ampla programação a partir das 9h

Plataforma ZOOM- ID 863 9146 6954

9h – Expediente
• Aprovação da Ata n° 268
• Sobre as eleições da nova Diretoria
• Aprovação do nome da Professora Nadine Clausell para Membro Honorário da ASRM.

9:30h – Homenagem aos Acadêmicos recentemente falecidos. Apresentação: Germano Mostardeiro Bonow

Ivo Abrahão Nesralla ( Paulo Roberto Prates)
Ivan Izquierdo (Jaderson Costa da Costa)
Dakir Lourenço Duarte ( Carlos Henrique Menke)

10:15h – Entrega do Prêmio da Academia 2020 ao Prof. Marcelo Cypel- da Universidade de Toronto, Canadá, apresentado pelo Acad. Darcy Ribeiro Pinto Filho. Na sequência, proferirá a palestra: “Inovações no manejo da falência respiratória: do transplante pulmonar ao Covid-19 “