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HORIZONTES DA TELEMEDICINA: Como conciliar avanços da medicina e a presença física do médico?

 

Afinal, será possível compatibilizar os inevitáveis avanços da telemedicina com o binômio compaixão e gratidão, base fundamental do atendimento presencial e imprescindível na relação médico paciente?

 

O painel intitulado “Horizontes da telemedicina”, promovido pela Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM), na reunião mensal de setembro realizado de modo virtual, na manhã deste sábado (26/09/2020), obviamente não respondeu essa indagação. Mas os três painelistas deixaram claro que este é o maior desafio dos profissionais da Medicina, sobretudo após o período da pandemia  da Covid 19. Passada a excepcionalidade justificada na lei 13.989 de 15 de abril de 2020, que regra a telemedicina, se deverá construir um processo com normas de regulamentação do atendimento remoto que vai implicar em muitas variáveis, priorizando a abordagem ética que ampara a preservação da saúde e a defesa da vida.

 

O diretor da Unimed Federação, intensivista e geriatra José Milton Cunha Mirenda, informou como as cooperativas médicas estão utilizando as tecnologias disponíveis para manter o atendimento dos cooperados para com seus pacientes, com o obrigatório distanciamento imposto pela pandemia. Mirenda detalhou o planejamento cuidadoso feito pela entidade para implantar o telemedicina, considerando três fases complementares. “Estamos em estudos da terceira etapa que deve incluir, além de médicos, outros profissionais da saúde como psicólogos e nutricionistas”, acentuou. Citando o dr. Cho Wung Wen, Mirenda aludiu a um cenário futuro com o “hospital digital híbrido”.Para ele o bom médico lida com qualquer ferramenta.

 

O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), ginecologista e obstetra Marcelo Marsillac Matias, salientou que, após o Conselho Federal de Medicina (CFM) revogar uma resolução de 2019 sobre o tema, a pedido dos profissionais, deve ser construído um novo regramento que leve em conta todos os questionamentos que estão surgindo com a prática do teleatendimento efetuado na pandemia. Um dos efeitos mais preocupantes é a judicialização, além do mercado de trabalho e remuneração do profissional. “Mesmo com o atendimento à distância não diminui em nada a responsabilidade e a qualidade do trabalho do médico”, sustentou

 

Reconhecendo que não se pode ignorar os avanços tecnológicos, o  acadêmico José J. Camargo foi extremamente incisivo na defesa da proximidade física do médico com o paciente. “O  exame com contato físico é fundamental”, afirmou. “Mas o bom médico precisa gostar de gente”. Segundo Camargo, não é possível criar empatia através do contato distanciado pelo vídeo.

“Não por acaso há uma nostalgia dos médicos de antigamente”, argumentou. “Digo aos estudantes de Medicina que se não ouvirem um “obrigado, doutor!” durante uma semana acende o sinal amarelo. Se forem duas semanas o caso é grave, de tratamento psicológico até”.

 

Os palestrantes foram unânimes em afirmar que a Telemedicina que já era uma forte ferramenta para algumas áreas, principalmente diagnósticas, com a pandemia estendeu-se para quase todos os setores da medicina, com variadas limitações, proporcionais à necessidade da presença física e afetiva. Precisaremos avançar muito ainda para que este importante recurso não signifique prejuízo para a relação médico-paciente e o melhor desempenho da missão da medicina.