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Encontros Literários voltam em alto estilo

Apesar do formato on line e do sentimento de tristeza que o grave momento da pandemia no Brasil provoca em todos, como salientou o presidente da ASRM, Carlos Henrique Menke, na abertura do evento, os Encontros de Medicina e Literatura retornaram em alto estilo neste ano de 2021.

Na tarde de terça-feira, dia 16/03, 42 participantes na plataforma Zoom compartilharam apresentações brilhantes sobre contribuições de gênios da Medicina que mudaram a história da ciência e da humanidade. De Oslo, na Noruega, a professora Maria Luiza Cestari acompanhou toda a reunião, assim como o ex-presidente da Amrigs,Alfredo Cantalice, ex-presidentes da Academia e convidados especiais como Deivis de Campos, que têm aderido ao evento remoto.

No início, o acadêmico Carlos Antonio Mascia Gottschall ministrou uma aula completa, percorrendo todo o mistério da circulação sanguínea, elencando médicos e pesquisadores que desafiaram e interpretaram fenômenos físicos desconhecidos que iluminariam o mundo. Conteúdo do seu livro “As duas cores do sangue. A saga da circulação” (Laux, Porto Alegre, 2020), a abordagem histórica da Fisiologia, da Medicina e da própria vida, centra o foco na descoberta da circulação sanguínea, definindo-a como “o mais importante descobrimento médico do milênio 1000-2000”, feito em 1628 pelo inglês William Harvey, um médico brilhante e pesquisador genial.

O coordenador do encontro, acadêmico Rogério Xavier, ainda sugeriu a Gottschall que comentasse outra primazia histórica de Harvey para quem todo ser vivo provinha de um ovo (óvulo) patrocinando uma mudança de conceitos imprescindível para se entender a vida.

Na segunda parte do encontro com a presença ilustre da professora Judith Scliar, o acadêmico Germano Mostardeiro Bonow discorreu sobre o tema de um livro que está em fase final “O que aprendi com Moacyr Scliar”. Bonow foi aluno e colega, na área do atendimento sanitário público, em Porto Alegre, do médico e escritor gaúcho imortalizado na Academia Brasileira de Letras (ABL). Embora Scliar tenha cerca de 20 obras sobre sua profissão médica, é sua caudalosa produção literária e ficcional (à exceção da poesia) que se impõe com muita força.

O livro de Bonow volta-se, assim, para fatos mais vinculados à trajetória profissional, iniciada nos anos 1960 em ações de controle da tuberculose em Porto Alegre e no grupo de trabalho que investigou os danos causados pela droga talidomida que até hoje é motivo de contenda judicial no RS. São valiosas contribuições de Scliar à Medicina que tanto honrou.