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Doutor Mariante: Um luminar

| por Thiago Roberto Sarmento-Leite*

 

“Luzes que se espargem
não se apagam jamais”

 

Com idade superior a um século, faleceu – em extraordinária plenitude mental – o psiquiatra e escritor João Gomes Mariante. Suas múltiplas e fecundas atuações vêm sendo registradas com propriedade por eminentes integrantes da classe médica. De minha parte, cumpro exprimir tributo ao notável varão. Lícito destacar circunstâncias decisivas, dentre outras, em virtude das quais – nesta última década – mantivemos estreito relacionamento e consolidou-se mútua afeição. Uma, quando dr. Mariante (a quem não conhecia) procurou-me para atender questões de cunho jurídico de seu interesse e preocupação; desde logo constatei ter à frente alguém de aguda percepção e profunda sensibilidade ao par de apreciável cavalheirismo. Outra, quando (tempos após) convidou-me para instaurar e titular seção sobre Ciências Jurídicas e Sociais no periódico “Mente Corpo”, criado e dirigido por ele e já com dois lustros de circulação e credibilidade. A partir daí, habituais encontros com foco nas edições mensais. Tais justificadas menções têm por escopo asseverar que – por tudo – ensejado a aferir magnitude de intelecto; incomensurável cultura; monumental capacidade de labor; irretocável conduta. Afora larga visão em áreas psicossocioeconômico-políticas e outras mais que, via de regra, resultavam em ricos editoriais

 

Impressionava sua férrea determinação em viver para agir… Ainda, recente, revisava (para publicar em breve) o livro “Como cheguei aos 100 anos”. Também, organizava uma nova obra, com a pretensão de “lançamento em futuro próximo…”, afirmou convictamente, a bem dar a dimensão de seu excelso espírito. Dr. Mariante não deixará de existir ante o fato de sua morte ao meio de seus bem vividos 102 anos, pois – por palavras, escritos, ações – prosseguirá vivo na memória e no coração daqueles que auferiram o privilégio de sua atenção. Seu nome estará inserido nos arquivos da posteridade, eis que, em verdade, não foi meramente um iluminado e sim genuinamente um luminar!

 

 

Artigo publicado originalmente no jornal  “Correio do Povo” em 24 de setembro de 2020
*Advogado e ex-juiz do TRE-RS