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CÂNCER DE PULMÃO – Novos tratamentos contra a doença silenciosa que mais mata

Como cunhou o acadêmico e cirurgião torácico Darcy Ribeiro Pinto Filho, ao final da palestra deste sábado (19) do seu tutorado, oncologista André Borba Reiriz, as notícias de tratamento do câncer de pulmão podem ser classificadas como “alvissareiras”. Ao longo das suas três décadas de experiência médica, Darcy observou que mudaram os métodos de diagnóstico, de detecção precoce e de rastreio, de procedimentos cirúrgicos e inclusive surgiram medicamentos, anunciando um novo paradigma para a doença. Ou para a solução e para a saúde, como prefere sublinhar Reiriz.

 

Reveladas na terceira palestra do curso, online realizado aos sábados, de Educação Social em Saúde, do programa Novos Talentos da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM), essas inovações apontam para soluções importantes que deveriam ser disponibilizadas na rede pública de atendimento do sistema de saúde do país.

 

Como lembrou Reiriz, o tabagismo continua matando 8 milhões de pessoas no mundo por ano. Deste total pelo menos um milhão de seres humanos adultos morrem como fumantes passivos, sem o uso do cigarro. No Brasil, onde houve uma diminuição expressiva de consumidores de tabaco a partir dos anos 1980 – despencando o índice de fumantes – o câncer de pulmão é o que mais mata ainda.

 

Mas, além de atingir danosamente o pulmão, o tabagismo é responsável por outros males graves, contribuindo para doenças cardiovasculares, enfisema, canceres de laringe, boca, esôfago, estomago, bexiga, próstata.

 

Portanto, combater incessantemente o tabagismo – incluindo cigarros eletrônicos e inaladores – é indispensável para preservar a saúde da humanidade.

 

Entre o que podem ser novidades revolucionárias, especialmente para os leigos, o médico do Hospital Geral de Caxias do Sul e professor da Universidade de Caxias do Sul (UCS) citou o método de diagnóstico precoce baseado em resultado de tomografia de baixa dose,

 

Já em fase de acolhimento pelo sistema de saúde caxiense, a tomografia de baixa dose destina-se a verificar fumantes entre 55 e 74 anos, com o indicador 30 Anos-Maço (ou seja, com consumo diário médio de um maço de cigarro por 30 anos) com risco aumentado para câncer de pulmão.

 

Reiriz igualmente referiu-se a novos medicamentos no tratamento do câncer, isto é, na ação para controlar a proliferação exagerada de células danosas.

Dividindo a abordagem em dois tipos, ele afirmou que se pode atacar o defeito específico com um medicamento para atingir este alvo e também recorrer à imunoterapia para reverter a ação do tumor que desliga o sistema imunológico. Ele salientou que o tipo de câncer de pulmão conhecido como ALK, cujo tratamento permitia oito meses de sobrevida, hoje possibilita quase uma década de existência ao doente, graças ao tratamento com anti ALK. A imunoterapia, que visa impedir o desligamento do sistema imunológico permitindo cinco anos a mais de vida para 50% dos pacientes, é comparada por Reiriz a “um exército de defesa definitivo para controlar a doença”.

 

O acadêmico Darcy, que comentou a palestra do Novo Talento, recordou que antigamente a cirurgia assustava os pacientes temerosos dos efeitos invasivos no organismo.

 

Hoje com as cirurgias robóticas e por vídeo, é possível realizar operações com incisões de apenas três centímetros, informou ele. Segundo ele, é imprescindível combater o tabagismo, rastrear a doença antes dos sintomas; promover a busca ativa para permitir referências médicas para o paciente ser atendido e capacitar a rede básica para diagnosticar e cuidar do paciente.

 

Veja o vídeo do evento no canal da Academia no YouTube acessando https://www.youtube.com/watch?v=RHez82MmnXQ&t=169s