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A perda irreparável de Iván Izquierdo que enluta a ciência

 

O falecimento nesta terça-feira (09/02) do médico, neurocientista e membro Honorário da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, Iván Antonio Izquierdo, é uma perda irreparável, de fato, para muitos: para familiares e amigos, para colegas e discípulos. E também para a pesquisa e a ciência, cuja contribuição superior forma um legado de dimensões imensuráveis que o consagraram como dos mais brilhantes estudiosos do cérebro e da memória, destacando-o como o mais citado em referências nesta área do conhecimento, na América Latina.

No livro “30 Anos da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina”, lançado em dezembro, a rica trajetória profissional do argentino nascido em Buenos Aires em 16/09/1937 e no Brasil desde 1978, está resumida nas páginas 166 e 167.

O texto do livro recupera sua filiação: era primogênito de um pai argentino de origem catalã e de uma mãe croata e era naturalizado brasileiro desde 1981. Casado com a brasileira Ivone Moraes, teve dois filhos e quatro netos.

Formou-se em Medicina em 1962 na Universidade de Buenos Aires. Foi pioneiro no estudo da neurobiologia da memória e do aprendizado. Foi professor da Universidade de Buenos Aires (1965-1966), da Universidade Nacional de Córdoba (1966-1973), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1973-1974 e 1978-2003) e da Universidade Federal de São Paulo (1975-1978). Possui doutorado em Farmacologia. Fez pós-doutorado na University of California, Los Angeles (UCLA), Estados Unidos (1962-1964).

Foi professor honorário da Universidade de Buenos Aires desde 1991 e da Universidade de Córdoba desde 2006. É doutor honoris causa pela Universidade Federal do Paraná (2007). É membro: Fellow, The World Academy of Sciences (2007); Foreign Associate, National Academy of Sciences U.S.A. (2007); Academia de Ciências da América Latina (1990); Academia Brasileira de Ciências (1985); New York Academy of Sciences (1984); Membro Correspondente da Academia Nacional de Ciências Médicas da Argentina; da Academia Brasileira de Ciências (1977); Colaborador Especial de Trends in Pharmacological Sciences (1981-1991); Pharmacology (textbook, ed. by Paul E. Munson). McGraw-Haill, (1992); e membro do Conselho Consultivo da Coleção de Divulgação Científica da Editora da Universidade de Campinas (2007).

Recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Conrado Wessel, no Brasil (2008) e o Prêmio da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento (1995). Recebeu também várias condecorações em nível nacional, entre elas a Ordem de Rio Branco e a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Científico do Brasil. Recebeu o prêmio Bolsa Guggenheim para Ciências Naturais, América Latina e Caribe. E a Medalha do Mérito Farroupilha, máximo galardão da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (2009). Em 2018, foi laureado como Cientista do Ano, na área de neurociências, na categoria Professor, pelo Instituto Nanocell.

Orientou inúmeras dissertações de mestrado e teses de doutorado. Orientou professores adjuntos ou titulares de universidades brasileiras, nove de universidades argentinas e dois dos Estados Unidos. Foi consultor de 22 agências de financiamento científico de sete países (Brasil, Argentinas, USA, Inglaterra, Israel, Arábia Saudita, Japão) e de mais de 30 revistas científicas de todo o mundo.

Foi professor de Medicina e coordenador do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Manteve pesquisa e estudos constantes sobre a modulação da memória. E seus artigos e livros já são parte imprescindível das bibliografias básicas dos trabalhos dedicados aos temas da neurologia e neurociências. Ao longo de décadas, publicou mais de 500 artigos científicos em periódicos indexados (isto é, em que há avaliação pelos pares). Há anos era um dos cientistas brasileiros (e latino-americanos) mais citados na literatura especializada: 13 de seus artigos foram reproduzidos mais de 100 vezes e o conjunto de sua obra recebeu mais de 10.000 menções. Também publicou 17 livros, dos quais seis são de ficção e de crônicas, sua mais recente paixão intelectual.

Izquierdo faleceu em sua residência. Estava em plena atividade intelectual no Instituto do Cérebro do qual foi coordenador e um dos fundadores.