MEMBROS HONORáRIOS

Cláudio Laks Eizirik

Filho do médico Moysés e da dentista e artista plástica Paulina, nasceu em Porto Alegre em 1945. Realizou seus estudos no Grupo Escolar Apeles Porto Alegre, nos Colégios Israelita Brasileiro e Estadual Júlio de Castilhos. Cursou a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) de 1964 a 1969. Realizou residência médica em Psiquiatria na UFRGS (1970 a 1972), onde também fez o doutorado em Medicina (1993 a 1998).

Professor na instituição por 40 anos, recebeu o título de Professor Emérito em 2017. “Na verdade, me vejo mais como um aluno emérito. Desde a infância senti uma enorme atração pelo conhecimento, uma grande vontade de aprender e conviver com pessoas que tinham coisas para ensinar” afirmou ao ser agraciado. A relação com a UFRGS vai muito além dos seus longos anos de dedicação como professor, é uma tradição de família: seus pais, irmãos, tios, primos e filhos estudaram na universidade.

Em 1974, ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul como auxiliar de Ensino no Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal. Ao longo de décadas, desenvolveu atividades docentes contínuas em disciplinas da graduação e pós-graduação, de supervisão de trabalhos clínicos, e na administração da Faculdade de Medicina, tendo sido vice-diretor e diretor. Foi o primeiro coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria, Mestrado e Doutorado, onde coordenou a linha de pesquisa Psicoterapias psicanalíticas: estudos de processo e efetividade. Coordenou o Ambulatório de Psicoterapia de Orientação Analítica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Coordena o Curso de Extensão em Supervisão de Psicoterapia de Orientação Analítica.

Em 1975, iniciou sua formação analítica na Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA). Em 1987, tornou-se membro associado da SPPA, e membro efetivo em 1992. No ano seguinte, foi eleito presidente da sociedade e participou do movimento de efetiva internacionalização da Associação Psicanalítica Internacional (IPA), até então restrita, em seus órgãos diretivos, à presença dominante de colegas da Europa e Estados Unidos.

Entre 2005 e 2009, presidiu a Associação Psicanalítica Internacional na primeira vez, e até agora única, em que um brasileiro chegava a essa posição. Suas principais realizações no cargo foram o estabelecimento do Comitê da Prática Analítica e Atividades Científicas, que financiou e estimulou intercâmbio entre as diferentes regiões; uma abordagem mais flexível da formação analítica, com o reconhecimento de três modelos; um novo instituto, para a formação de analistas em países da América Latina onde não havia psicanálise; novos comitês para estudar o preconceito, os efeitos psíquicos da exclusão social, os processos de envelhecimento de pacientes e analistas; bolsas para financiar futuros analistas com dificuldades econômicas; o início da formação analítica na China.

Em 2011, recebeu o prêmio Sigourney, o mais prestigioso da psicanálise internacional, por contribuições relevantes à mesma. É autor de trabalhos, capítulos de livros e livros sobre a teoria e a técnica da psicanálise, o ciclo da vida humana, em especial a velhice e as relações entre psicanálise e cultura. Atualmente é o coordenador do Comitê Internacional de Novos Grupos, da IPA, que monitora o desenvolvimento de novos grupos psicanalíticos em todo o mundo.